22/12/2014

(Resenha) O Legado da Caça-Vampiro – Colleen Gleason


Lançado em 2010, o romance de estreia da autora Colleen Gleason tem como protagonista Vitória Gardella. Ela recebe um Legado de família: caçar e matar mortos-vivos (vampiros), ou seja, ser uma Venadora (caça-vampiro).

A partir do momento que aceita esse Legado, ela terá que conseguir conciliar seus dois mundos: o sombrio, violento, com vampiros sempre à espreita, à procura de um deslize seu para, então, enfiar seus dentes em um pescocinho; e o com valsas, bailes, mãos enluvadas, vestidos luxuosos, visando uma única meta: casar-se com um homem rico e bonito, dando mais atenção para o primeiro adjetivo.  

O Legado da Caça-Vampiro é narrado em terceira pessoa, o que daria mais liberdade para a autora descrever cenas onde o narrador-personagem não estivesse presente. Não obstante, a autora resolveu abrir mão desse recurso, usando-o em momentos desnecessários e esquecendo-o em momentos cruciais e que traria uma dinâmica bem interessante.

Inicialmente, o que me encantou foi a oportunidade de ler uma história onde vampiros fossem descritos da forma que eu os conheci: frios e maus. Não tenho nada contra vampiros do tipo Edward, de Crepúsculo, no entanto há um momento que todo aficionado por sugadores de sangue sente falta de vê-los descritos da forma como foram, inicialmente, apresentados.

Depois de lidas as 100 primeiras páginas, ou antes, notamos que a sinopse é enganadora, escondendo elementos importantes da história e que, talvez, atraísse mais leitores. Por exemplo, eu não achei a protagonista "excêntrica" e tão "adiante do seu tempo". Ela, somente e simplesmente, quer escolher bem o seu marido e acha alguns eventos da sociedade chatos. O piercing que ela usa no umbigo não é colocado lá por uma questão de estética, como a sinopse sugere.

Geralmente, um livro com esta quantidade de páginas, 375, eu leria em três, quatro dias, ou menos. Entretanto, o livro não me deixou com aquela vontade de passar horas e horas sentada, devorando cada página. A autora parecia que queria – vou usar um termo bem chulo, mas é o único que me vem à mente  encher linguiça no início e meio do livro para nos brindar com um grande acontecimento somente nas últimas páginas. E foi exatamente isso que aconteceu.

No início e meio do livro, as únicas coisas que acontecem é Vitória matando vampiros, Vitória em bailes, concertos, Vitória flertando com seu pretendente, Vitória brigando com seu ajudante na caça aos vampiros. O lado sobrenatural da história nessas páginas fica por conta da captura de um objeto que a Rainha dos Vampiros quer muito, pois aumentará o seu poder. Falando em Rainha dos Vampiros, um elogio é necessário: ao criar uma história que explica o surgimento do primeiro vampiro, a autora inovou bastante nessas páginas iniciais. 

"A mulher estava sentada em um dos sofás e o vampiro encontrava-se ameaçadoramente atrás dela. O coração de Vitória acelerou. Aqui estava ela, cara a cara com um morto-vivo. Sem a vantagem da surpresa, com o problema adicional de uma vítima." Página 65.

As cenas de ação foram descritas com maestria. Ela não usou de exageros, como usar uma folha inteira descrevendo um local, para fazer com que nos sentíssemos dentro da cena, para que víssemos a cena. Essas cenas foram o ponto auto nessas páginas iniciais. Ela também sabe descrever minuciosamente cenas mais hots, nenhuma que faça com que o livro se enquadre no gênero erótico. Os salões, os vestidos, os penteados, tudo foi descrito de uma maneira que fez com que eu realmente me sentisse em Londres do século XIX.

Devo dizer que autora, também, surpreendeu a não colocar um romance entre dois personagens. Logo nos primeiros capítulos parecia que a autora faria isso, mas, daí, ela escolheu outro caminho. E acontecimentos importantes aconteceram em um ponto da leitura que eu nunca imaginaria que ela colocaria. Ponto positivo para o quesito "surpresa", então.

Colleen Gleason usou o Cliffhanger na passagem de um capítulo a outro (não conhece o recurso? Leia esse post e compreenda). Entretanto, ele não foi suficiente para me deixar curiosa e ávida para chegar logo ao fim do livro.

A autora teve boas ideias, mas não soube colocá-las no papel. Recomendo o livro para quem, assim como eu, senti falta dos vampiros malvados, que dilaceram os pescoços de suas vítimas. 

Notei alguns erros gramaticais na obra, como a falta de vírgulas, e erros de digitação, nada que comprometesse o entendimento. A capa é linda, como vocês podem ver. As páginas possuem nas bordas umas manchas como se fosse sangue sendo derramado, o que caiu bem, se levarmos em conta a temática do livro. As páginas são amarelas, facilitando a leitura, por não cansar tanto a vista. Comprei o meu exemplar na FELIS (Feira do Livro de São Luís 2014) e, não vou mentir, a capa foi a segunda coisa que fez com que eu efetuasse a compra. A primeira? Bom, ele custou apenas R$10,00. 

FICHA TÉCNICA
Sinopse: Vitória Gardella é jovem, linda e usa piercing no umbigo. Ela vive na Inglaterra do século XIX e herdou um legado: matar vampiros. Londres, 1810. Num ambiente que lembra os romances de Jane Austen, como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, uma jovem linda e sensual, Vitória Gardella, debuta na sociedade e precisa arrumar um marido rico. Mas Vitória parece viver 200 anos adiante de seu tempo. Quer levar vida independente. Usa piercing no umbigo. E herdou um terrível Legado – o de ser uma Venadora, ou caça-vampiro. Você não precisa esquecer tudo o que leu sobre vampiros, de Bram Stocker a Stephenie Meyer, mas vai se surpreender e se arrepiar com esse novo jeito elegante, erótico, sangrento e eletrizante de contar uma história.
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Título: O Legado da Caça-Vampiro
Subtítulo: Crônicas Vampíricas de Gardella
Autora: Colleen Gleason
375 páginas
Editora: Jardim dos Livros
ISBN: 978-85-63420-02-2
Compre: Cultura | Amazon | Saraiva


Veja O Legado da Caça-Vampiro em outros posts:

18 comentários:

  1. Adorei a sua resenha, pelo visto é um bom livro se você for com 0 de expectativa né?!
    Leitora nova aqui no blog e já estou seguindo e amando, hahaha.
    Beijos.
    Se puder, dá uma olhadinha no meu blog: Blog Palavrear-se :)

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado da resenha. Eu fui com muita expectativa, já tinha um tempo que não lia um livro com o meu segundo ser sobrenatural predileto... Mas, até que o livro me proporcionou uma sensação boa de me sentir em Londres do século XIX.

      Obrigada pela visita e volte sempre que desejar. Vou visitar o seu cantinho, agora :)

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  2. Gosto mais de histórias com vampiros de verdade, não como os do crepúsculo. Gostei da caça-vampiros.

    http://mundo-restrito.blogspot.com.br

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    1. Eu gosto do dois tipos de vampiros: o bonzinho e o malzinho rs. É um livro bom para quem gosta de "ver" essas criaturas do mal sofrerem.
      Obrigada pela visita e volte sempre que desejar.

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  3. Sua resenha foi muito boa eu não gosto muito de livros de vampiro pelo fato que que a maioria como você mesmo falou não é to jeito que "conchemos" os vampiros. Gosto de vampiros cruéis kk çaça vampiros.

    bjs

    http://garotas--xxi.blogspot.com.br/

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado da resenha (acho que ela ficou muito grande, mas, se você gostou, tudo bem). Já estava com saudades dos vampiros como conheci (frios e maus). Já que vejo que você gosta de vê-los "pagando" por suas maldades, recomendo a leitura, pois você verá muitas cenas do tipo.

      Obrigada pela visita e volte sempre que desejar.

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  4. Olha Karina, eu não fui muito com a cara desse livro. Acho que nunca tive uma ligação muito forte com vampiros, na verdade, eu não gosto nem um pouco deles nem de histórias que os envolvam. De qualquer forma, gostaria de ti parabenizar pela resenha. Ela é muito bem escrita e a leitura flui bem, não sendo cansativa apesar do tamanho grande.

    Leitores Forever

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    1. Oi, Cris. Fico feliz que tenha gostado da resenha. Tentei diminuí-la ao máximo, mas não consegui. Sei que textos grandes desestimulam um pouco, pois cansam a vista. Bem, mas fico feliz em saber que, mesmo enorme, a leitura não foi cansativa.

      Obrigada pela visita!

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  5. Oi, Karina!
    Adorei a sua resenha, pois dá pra ver que você foi muito verdadeira! Eu já tinha lido outra resenha que também dizia que a sinopse era meio enganadora. Já tô meio cheia de vampiros (embora ainda queira ler Entrevista com o vampiro, pois nunca li nada da Anne Rice), por isso acho que não leria esse livro. Sem falar que eu sou do tipo de leitora que me deixo levar pela capa e acho essa capa muito fail e medonha! hahaha. Adorei sua resenha!

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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    1. Oi, Nina!
      Já tinha ouvido falar de "Entrevista com o vampiro", mas nunca me interessei verdadeiramente pelo livro. Agora, bateu aquela curiosidade... Vou procurar umas resenhas por aí.
      Haha! Pois eu sou diferente: super me deixo levar pela capa. Sei que uma capa bonita não significa história boa, mas sou muito "visual" quando o assunto é livro.
      Fico muito feliz que tenha gostado da resenha ^^

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  6. To saturada de livros de vampiros! Mas sua resenha foi muito boa, parabéns! :)
    www.belapsicose.com

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    1. Depois desse livro, vou dar um tempo em histórias com vampiros rsrs. Fico feliz que tenha gostado da resenha :)

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  7. Olá!

    Uau, que nome diferente! Venadora... Isso me lembra aquele anime do "Sirene", haha. Masculino de sereia também é estranho.

    "As cenas de ação foram descritas com maestria. Ela não usou de exageros, como usar uma folha inteira descrevendo um local, para fazer com que nos sentíssemos dentro da cena, para que víssemos a cena."

    Ah, isso depende bastante da literatura e do gosto! :D Como não é um livro épico, acho que fica melhor se a descrição for mais rápida e mais sucinta, pois não perde toda aquela adrenalina. Se fosse um livro épico, porém, até a geografia do local é importante! xD

    Menina, adorei o estilo das capas! De verdade! Achei muito válido por parte da editora (e fiquei curiosa para saber se o original é assim)!

    Obrigada pela excelente resenha! Vi que analisou tudo: desde o enredo até a edição... só senti falta de algo mais sobre as personagens, sabe? Depois de ler o texto, ainda fiquei tentando captar se a personagem principal é forte ou não.

    Um grande abraço e ótimas leituras,

    Ana Carolina Nonato
    Blog Seis Milênios
    http://seismilenios.blogspot.com

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    1. Masculino de sereia é muuuuuito estranho!
      Bem, acredito que nesse livro não haveria a necessidade de uma narração mais elaborada. Na realidade, acredito que nem teria como. Mas, lendo seu comentário, me dei conta de que nunca li um livro com descrições mais minuciosas (com mapas e tudo mais). Bem, "Anjos e Demônios" tem mapa, mas as descrições do autor são bem rápidas e sucintas.
      As capas são bonitas mesmo e as folhas são decoradas... Ah, esse livro é uma “belezura”.
      Ah, eu realmente deixei de falar dos personagens. Foi um esquecimento de minha parte. Mas a protagonista não foi muito marcante como eu pensei que seria. Os personagens secundários também não foram marcantes.
      Gostei do Max, o estressadinho. E, lendo a sinopse do segundo livro, "Ergue-se A Noite", vi que ele terá uma participação bem maior na história.
      Obrigada pela visita e pelo comentário, linda.

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  8. Olá, nossa nunca ouvi falar desse livro e olha que tenho queda por vampiros!
    Bem, acho que vou ler, me pareceu interessante
    Gostei da resenha!
    Beijo
    cheireiumlivro.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Antes de vê-lo na prateleira da feira do livro que ocorreu em minha cidade, nunca tinha ouvido falar desse livro. Também tenho uma queda por vampiros, mas vou dar um tempo em livros com essa temática.
      Fico feliz que tenha gostado da resenha ^^

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  9. Oii, tudo bem?
    Como assim eu nunca tinha ouvido falar nesse livro?!
    Com vampiros "de verdade" ainda por cima! Preciso ler!
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Oi, Angélica, tudo bem, sim.
      Também não tinha ouvido falar desse livro, até ocorrer a feira do livro na minha cidade.
      Obrigada pela visita e volte sempre.

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