27/11/2014

(Cata-lendas) Lendas maranhenses - Lenda da carruagem encantada da Ana Jansen



Única foto de Ana Jansen

Não há maranhense que não sinta um arrepio ao ouvir o pronunciar deste nome: Ana Jansen. Ainda recordo as primeiras vezes que perguntei à minha mãe sobre a malvada:

"– Mãe, quem é Ana Jansen?"
"– Foi uma mulher muito má. Ela usava as costas dos escravos como tapete. Ela pisava neles com um salto enorme."

Desde então, comecei a imaginar a cena. Ela, gloriosa em seu vestido de elite, e os escravos, deitados no chão, dispostos em fileiras, aguardando sua senhora descer da carruagem. Consigo ver a cara de dor, quando seu salto perfura a costela de cada um... É uma cena degradante, eu sei. Passei a infância tendo pesadelos desse tipo.

Nunca tinha feito nenhuma pesquisa sobre a vida da Don’Ana Jansen. Somente agora, fazendo essa postagem, que descobri que essa lenda não era como imaginava.

1797 é tido como o ano que Ana Joaquina Jansen Pereira nasceu (não há mês, dia e ano precisos). Sua família passava por problemas financeiros e o sobrenome Jansen perdera o status.  Morou na capital do Maranhão, São Luís.

Ela casou e enviuvou duas vezes e, por conta disso, conseguiu acumular riqueza, status, influência e independência. Conquista essas que eram dadas apenas aos homens e que pode ter sido a raiz da inveja de homens que não as conseguiu.

Reza a lenda que, além de usar os escravos como tapete para não sujar seus sapatos franceses, ela amarrava os escravos rebeldes de cabeça para baixo em um poço e, simplesmente, os esquecia lá. Contudo, seus descendentes dizem que, naquela época, uma mulher não detinha todo esse poder, ou seja, todas essas histórias de maldade são frutos da imaginação. Há outra tese que diz que essas histórias e, posteriormente, a criação da lenda são frutos da inveja e raiva dos homens que possuíam menos dinheiro e poder que uma mulher.

Após sua morte, reza a lenda que Ana Jansen foi castigada por suas crueldades em vida. Ela iria vagar pelas ruas do Centro Histórico de São Luís em sua carruagem puxada por mulas sem cabeça que jorravam línguas de fogo e conduzida por um negro igualmente decapitado. Rangido dos parafusos, gemido de dor dos escravos mortos por ela e correntes se arrastando: são os sons que acompanham a vinda de Ana Jansen.

Os desavisados que, por ventura, encontrarem o fantasma da Ana são obrigados a rezar uma oração pela alma da senhora e receber dela uma vela acessa que, no raiar do dia, se transformará em osso humano descarnado. Como a imaginação do ser humano é algo fértil, muitas pessoas dizem já ter visto a Senhora vagar pelas ruas do Centro Histórico de São Luís.





6 comentários:

  1. Uoww!! É verdade que cada região esconde uma lenda própria, mas eu adorei essa, haha. Ok, com certeza você tem razão em ter tido pesadelos, mas já tentou passar por essa rua e chamar por ela, ou coisa assim? Sei lá, sendo invenção ou não, parece uma lenda muito bem construída :v

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br
    Tem resenha nova de "O Reino das Vozes que não se Calam" no blog, vem conferir!

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    1. Já pensei em fazer isso... Mas, o medo não deixa. Sim, a lenda é muito bem construída... a ponto de parecer verdadeira.
      Obrigada pela visita e volte sempre.

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  2. Oi Karina.
    Super interessante essas histórias que a gente ouve quando criança. E é muito bacana pesquisar um pouco mais antes de dar sua opinião. Adorei saber um pouquinho mais sobre a cultura e lendas maranhenses.
    Parabéns..

    Beijos
    Carolina
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Carolina! Se gostou, então fica ligada aqui no blog que sempre vou colocar postagens desse tipo. Obrigada pela visita e volte sempre.

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  3. Que interessante! Eu sou do Rio Grande do Sul, aqui não conhecemos essa lenda. Mas me lembro de uma outra que muito ouvi falar. Tratava-se de uma mulher tida como bruxa, chamada Jacobina Mucker. Não me lembro muito bem da história, mas ela também me atormentava quando criança.

    Leitores Forever

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    Respostas
    1. Essas lendas tiram o nosso sono mesmo! Vou pesquisar um pouco sobre essa tal Jacobina Mucker, tenho uma fixação por esses tipos lendas.
      Obrigada pela visita e volte sempre.

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